Já se vai mais de um dia após o final de Cruzeiro x Palmeiras
pelo Brasileirão 2009, porém para uma partida épica como essa nunca
é tarde para se falar. O Palmeiras começou a rodada com 44 pontos,
um a mais que Internacional e São Paulo, que também brigam pelo
título, porém por motivos televisivos o jogo do Verdão foi o único
a ser realizado na quarta-feira, com todo o restante da rodada
sendo jogada no final de semana anterior.
Tanto Inter quanto São Paulo poderiam passar o Palmeiras
momentaneamente, pois teriam um jogo a mais até o término da
rodada, porém o Verdão mostrou que tem sorte e competência e,
quando muitos diziam que iríamos perder a liderança, abrimos 3
pontos de vantagem para o segundo colocado. Tudo começou no sábado,
quando o Internacional perdeu para o Vitória em Salvador. No
domingo, o São Paulo enfrentou o Santo André, também fora de casa,
os inimigos saíram na frente, porém no final do jogo o time do ABC
Paulista empata e não deixa que o Verdão perca a ponta.
Chega quarta-feira, a não ser que o Palmeiras perdesse por 5 a 0
terminaria a 25ª rodada na liderança. O jogo já começou polêmico,
principalmente por causa do atacante Kléber, o palmeirense que joga
no Cruzeiro, que no final de semana havia ido a um Campeonato
interno na Mancha Verde, a maior Torcida Organizada palmeirense. Os
torcedores cruzeirenses ficaram muito revoltados com isso, chegando
até a ameaçar o jogador, que sempre demonstrou raça em campo (e
também sua vontade de voltar ao Palmeiras em diversas
declarações).
O jogo começa, o Palmeiras tem os desfalques de Danilo (suspenso),
Pierre (lesionado) e Edmílson (voltando de lesão). Logo aos 8
minutos de jogo, após uma falha na “linha de
impedimento” de Marcão, o Cruzeiro abre o placar. Nessa hora
eu penso: “o Palmeiras vai conseguir virar e segurar no
sufoco até o final”, não imaginava que eu iria acertar tão em
cheio. Nem deu tempo para os cruzeirenses comemorarem direito,
menos de 2 minutos após o gol Vágner Love faz ótima jogada e só é
parado com falta, na intermediária, Diego Souza bate forte e com
efeito, empatando com um golaço.
O restante do Primeiro Tempo é um bom jogo, com ambas as equipes
jogando e chegando ao ataque, alguns lances polêmicos, os
cruzeirenses reclamaram de pênaltis não marcados (sorte deles, o
Marcos pegaria os pênaltis mesmo). Na volta para o Segundo Tempo,
Muricy Ramalho tira Robert (atacante) para colocar Maurício
(zagueiro), assim algumas pessoas chegaram a achar que o Palmeiras
apenas se defenderia na etapa complementar, e estavam certas.
Na verdade o Palmeiras teve um ótimo ataque no segundo tempo, após
belo passe de Cleiton Xavier, Vágner Love recebe a bola no meio dos
zagueiros mineiros e corre com ela, somente com o goleiro a sua
frente, dribla-o e toca para o fundo das redes, um lindo gol (que
eu quase gritei GOL já na hora em que ele pegou na bola e começou a
correr). O Cruzeiro não tinha outra alternativa a não ser ir com
tudo ao ataque, que deixaria o Palmeiras poder puxar contra-ataques
para “matar a partida”.
Era o que deveria ter acontecido se não fosse um “pequeno
detalhe”, a expulsão de Armero, o colombiano
lateral-esquerdo-velocista do Palmeiras. Como não temos muitos
canhotos no time (ficamos apenas com Marcão de canhoto em campo) e
ficamos com um jogador a menos naquela faixa do campo, foi
justamente por aí que os cruzeirenses resolveram atacar. Aliás a
única coisa que os cruzeirenses fizeram desde então foi atacar. Ah,
um “mero detalhe”, a expulsão de Armero foi aos 10
minutos do 2° tempo, ou seja, tínhamos pouco mais de 35 minutos
para segurar o ataque mineiro.
A partir daí, considerando também todo o clima de decisão que
envolvia a partida (por parte do Palmeiras que podia abrir
vantagem), o jogo pareceu uma “partida de
Libertadores”, igual aos épicos confrontos contra o
Corinthians em 99 e 2000, ou alguns outros jogos que me fogem à
memória agora, em que o Palmeiras, com uma vantagem mínima, não
podendo sequer tomar um gol, apenas se defendia, tomando sufoco até
o final da partida, mas saía vencedor.
E não foi fácil, o Cruzeiro atacou até não poder mais, o Palmeiras
se virava como conseguia, contou com a sorte em alguns lances, com
a incompetência cruzeirense em outros e, principalmente, com a
competência palmeirense em muitos lances. O tão polêmico Kléber
proporcionou três lances marcantes, em um deles em uma disputa
aérea pela bola com o volante que joga na lateral, Wendel,
acidentalmente o palmeirense que joga no Cruzeiro atinge o
companheiro, com o cotovelo, na boca. Wendel teve que sair, com
suspeita de lesão no maxilar, a consequência boa desse fato ruim
foi a oportunidade do chileno Figueroa estrear pelo Palmeiras, o
lateral-direito jogou muito bem, ganhou todas as bolas e demonstrou
muita vontade, se pegar uma sequência de jogos não sai mais do
time.
Os outros dois lances marcantes que envolveram o Kléber foram um
chute em que ele deu na entrada da área, Marcos desviou e a bola
bateu na trave, uma das melhores chances cruzeirenses no segundo
tempo, por final o que marcou a atuação do atacante foi a sua saída
de campo, vaiado pela torcida cruzeirense e aplaudido pela
palmeirense, retribuiu os aplausos da torcida do Palmeiras.
O jogo continuou naquele sufoco, eu cruzei os dedos com tanta força
que até me deu câimbras, eu ficava olhando o tempo de jogo
praticamente a cada 2 minutos e pensando “faltam 30
minutos”, “faltam só 20 minutos agora”,
“faltam só 15, vamos lá”, “40 minutos, só mais 5
minutos, nós vamos agüentar” e, perto dos acréscimos
“termina logo”. Ainda tiveram alguns lances polêmicos
em que os cruzeirenses reclamaram de pênaltis, bolas salvas na
pequena área, chutes que passaram raspando a trave, entre outros,
em vários meu coração dispara e acho que posso até “ter um
treco”.
O juiz apita o final do jogo, finalmente consigo respirar
normalmente e abro um enorme sorriso, VENCEMOS, Palmeiras 2 a 1,
abrimos 3 pontos de vantagem, com muito sufoco, muita emoção,
polêmica e, por fim, a consagração. O árbitro era Evandro Rogério
Roman, o mesmo que “roubou” o Palmeiras contra o Goiás
no primeiro turno, após tanta pressão há quem diga que ele
“devolveu” os 3 pontos tirados do Verdão anteriormente.
Agora é se recuperar do esforço e concentrar na próxima partida,
contra o Atlético-PR no Palestra Itália.
FICHA TÉCNICA:
CRUZEIRO 1 x 2 PALMEIRAS
Campeonato Brasileiro 2009
Local: Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 23 de setembro de 2009, quarta-feira
Horário: 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Evandro Rogério Roman (Fifa-PR)
Assistentes: Roberto Braatz e Carlos Berkenbrock
Cartões amarelos: Henrique e Gilberto ( Cruzeiro); Vagner Love,
Cleiton Xavier, Jumar e Marcos (Palmeiras)
Cartões vermelhos: Armero (Palmeiras)
Gols:
CRUZEIRO: Thiago Ribeiro, aos sete minutos do primeiro tempo
PALMEIRAS Diego Souza, aos nove minutos do primeiro tempo; Vagner
Love, aos quatro minutos do segundo tempo.
CRUZEIRO: Fábio; Elicarlos (Guerrón), Leonardo Silva, Gil e Diego
Renan; Fabrício (Jonathan), Henrique, Marquinhos Paraná e Gilberto;
Thiago Ribeiro e Kléber (Wellington Paulista)
Técnico: Adílson Batista
PALMEIRAS: Marcos; Wendel (Figueroa), Maurício Ramos, Marcão e
Armero; Jumar, Souza, Cleiton Xavier, Diego Souza; Robert
(Maurício) e Vagner Love (Willians).
Técnico: Muricy Ramalho